10 de agosto de 2016

Que saudades suas, Pampi

Eu não ia escrever nada nas redes sociais. Mas puta merda Pampi, que falta você me faz.

Dos lugares que eu poderia escrever, creio que aqui seja o mais apropriado. Afinal, isso ainda é um blog.

Eu tinha o que, 5, 6 anos quando você veio fazer parte da nossa família? Eu te via toda vez que passava na frente daquele pet shop que já não existe há anos. Aos meus olhos infantis, você era a gatinha mais linda do mundo, mesmo de longe. Insisti com a minha mãe e meu pai para a gente ter um gatinho (já tínhamos a Lili gordinha, que você já deve ter encontrado aí no céu dos animaizinhos) e ela pensou, pensou, e aceitou. Eu falei que queria você, a siamesinha do pet shop. Fomos te ver no outro dia, a dona da loja deixou eu te pegar no colo e você só ronronava, e para mim, você era ainda mais lindinha, e naquele momento, vi que era carinhosa também. Mas era propaganda enganosa, né sua safada? Digo, a parte do ronronar, não de ser carinhosa. Você nunca foi de ronronar, só queria sair daquele lugar horrível. Aos olhos de uma criança, eu não via nada de errado. Aos olhos da minha mãe, ela via uma gatinha com o pelo todo cortado por alguém maldoso e com vermes. Seria muito errado a gente te comprar. Mas ainda assim o fizemos porque já tínhamos nos apaixonado e não queríamos mais te ver lá. Mas não te levamos nesse mesmo dia, lembra? Minha mãe foi te buscar num outro dia com a minha tia.

Elas chegaram com uma caixa de papelão com furos falando que não deu para te trazer porque você não estava mais no pet shop. Mas eu não era nada besta e sabia que você estava ali, provavelmente pensando se você tinha se enfiado num outro buraco. Afinal, te pegamos já grandinha e você tinha todos os sinais que era maltratada. Você fez xixi e cocô atrás do armário da sala, deu um trabalhão para limpar. Mas você era inteligente e logo se adaptou a caixa de areia. Te tratamos, demos vacinas, vermífugos, e logo os pelinhos cresceram e você estava toda saudável e jeitosinha.

Mas ah, eu era criança e meu irmão também. Éramos um saco, né? Toda hora querendo te pegar, mas você não curtia colo quando era jovem. E ainda tinha a Lili gordinha, que você gostava mas queria distância. Gostava sim, lembro bem que quando o ciclo dela se encerrou, você dormiu nas cobertinhas com o cheirinho dela.

Seu passatempo favorito era correr pela casa soltando aqueles miados guturais. Lembra de quando eu estava com o braço apoiado no encosto do sofá e você passou correndo por cima dele e me arranhou toda? Nem consegui ficar brava com você, afinal, era meu braço que estava na sua pista de corrida, e as garras à mostra eram apenas sua tração 4x4.

Você cresceu um pouco, nós também. Mas você ainda não gostava de colo (só quando você queria e só se você fosse até nós) e ainda curtia ficar debaixo da cama curtindo um sono tranquilo e sem nossa encheção de saco.

E você nunca teve uma caminha, simplesmente porque você tinha a minha beliche, a cama do meu irmão e a dos meus pais à disposição. Tinha vezes que você dormia semanas com uma pessoa. Tinha outras que você numa noite só dormia em todas. O seu barato era entrar debaixo das cobertas e juntar o nosso quentinho com o seu. O chato era quando a gente se mexia de noite e te acordava né?

Com o acréscimo de mais anos, eu me tornei "adulta" e você idosa. Daí você queria colinho. Era só eu chegar do trabalho e sentar no sofá que você vinha no meu colo. Você sempre foi magrinha, mas ainda assim depois de algum tempo as minhas pernas pediam arrego e eu mudava de posição e claro, você me olhava com seus olhinhos de "poxa humana, tava tão confortável do outro jeito!". E quando eu me levantava, você achava ruim e roubava meu lugar, porque estava quentinho. Eu voltava e reclamava com você com aquela voz besta e melosa, te pegava e ajeitava te ajeitava de novo no meu colo. Ou te colocava aqui do meu lado, caso minhas pernas não aguentassem mais ou eu fosse levantar mais vezes.

Apesar da idade avançada, você estava em ótima forma! Os veterinários sempre elogiavam o seu físico. Mas parece que o peso da idade te alcançou de uma vez...

Primeiro você ficou com dificuldade para andar. Mas com muito esforço e a nossa ajuda, conseguia ficar bem. Mas depois você passou a comer pouco. Te levamos no veterinário, mas não há remédio contra a idade. Você piorou. Mas melhorou depois. Comeu até um pouco de ração que você não conseguia comer há alguns dias, e até nos assustou quando vimos você no topo da escada e depois te vimos no sofá, em baixo. Minha mãe pensou que a gente se preocupou à toa. Mas algo me dizia que você não iria ficar muito mais conosco...

Da mesma forma que você melhorou, piorou. Até que piorou muito. E se foi. 

Tinha te deixado do meu ladinho aqui no sofá, porque no meu colo você ficava tortinha e parecia muito desconfortável. Mas eu queria ter te segurado nos seus últimos momentos. Mas forte como você era, mesmo nos últimos instantes parecia que você ficaria com a gente mais alguns dias. Achei que a gente dormiria mais uma vez juntinhas, no colchão da minha beliche que eu coloquei no chão para você poder ir na caixinha de areia e no potinho de água quando quisesse, e ainda assim, dormisse comigo, porque você não queria dormir sozinha. Quando te colocava no colchão junto comigo, você fazia esforço para chegar beeeeem pertinho de mim. Você lutou até onde conseguiu, não é verdade?

E agora minha fedidinha, estou eu aqui, escrevendo esse post com lágrimas por toda parte. Você realmente foi importante para mim, assim como a Lili gordinha. Espero ter sido uma boa humana para você, assim como você foi uma boa gata para mim. Espero ter te dado todo amor, carinho, conforto, comida, e enfim, que você merecia. Sinto e vou sentir muito a sua falta.

Achei que conseguiria passar esse luto sem me manisfestar no mundo virtual. Queria falar como sua vida foi boa, como passamos ótimos momentos juntas e que essas lembranças sempre estarão comigo, pois gosto de espalhar coisas positivas por aqui. Mas seria uma bela duma mentira. Eu também sinto sua falta, eu também estou triste e queria muito poder ter passado mais tempo com você. Mas sei que vou me acostumar com essa dor, pois foi assim com a Lili gordinha, e ver mais das coisas boas. 

Te amo minha Nhanham. Você me faz uma falta imensa. Obrigada por tudo!

Não ficou com a sua carinha, seu jeitinho, Mas isso foi o melhor que consegui fazer.

6 comentários:

  1. Ahh, chorei. Só a gente sabe o bem e a falta que esses bichinhos fazem pra gente.

    O desenho ficou lindo, a mais singela recordação vindo direto do seu coração.

    Um beijo

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    1. Sim, só a gente sabe. E ainda vem gente falando que eu vou ter outros gatos na vida, na maior inocência achando que isso consola a perda de um amigo de 4 patas D:

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  2. Eu tô quase chorando, meu deus! Eu sinto muito pela sua perda, Lari. Sinto mesmo. E eu te entendo, já passei por tudo o que tu está passando. É horrível não saber quando vai ser, de fato, o último dia, né? Eu até hoje penso que poderia ter abraçado um pouco mais o Bebê, e que eu deveria ter preferido deixar ele confortável em casa, ao invés de fazê-lo passar por uma cirurgia que parece tê-lo feito sofrer. Eu fui egoísta, não queria dizer adeus, queria fazer de tudo para mantê-lo vivo só por mais um segundo e, hoje, sinto que fui uma dona horrível por ter feito isso, mas fiz porque amava demais aquele fedorento! Era um amor que, de tão intenso, optei por não sentir novamente, pelo menos não agora.
    Sua gata era linda, com certeza foi muito feliz! <3

    Beijos,
    milenaschabat.blogspot.com

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    1. Ai Milena, o amor as vezes pode mesmo ser egoísta, de não querer deixar partir. Mas a verdade é que nunca saberemos o que teria sido melhor ou não. Com a minha outra cachorrinha também ficamos muito na dúvida de quando levá-la para o veterinário para ela poder descansar, mas a mantivemos por perto enquanto pudemos. Não sabemos se ela queria ficar com a gente, ou se a dor era maior. A gente só levou quando viu que nem morfina adiantava. Sei lá, é muito difícil a decisão, essa é a uma hora em que eu desejo verdadeiramente poder falar com animais..

      Mas é isso que você falou Milena, ela e a minha cachorrinha foram muito felizes, e tenho certeza que o seu bebê de 4 patas também!

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  3. Ai, que coisa mais linda a sua história com a Pampi. Sinto muito pela sua perda. :( Mas ficam as lembranças boas e todo o amor que vocês viveram. <3

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    1. Obrigada Camila. Sim, ao menos temos muitas lembranças boas!

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